Tag Archives: Marianna Rios

Aumentam os acidentes com bichos de estimação em aeronaves

4 out

Levar os animaizinhos em viagens de avião é cada vez mais comum. Todo cuidado é pouco e o dono precisa estar atento à qualidade da caixa de transporte

Marianna Rios

Saber que o número de animais mortos durante os voos de companhias norte-americanas aumentou 77%, de 2005 a 2010, não é nada confortável para os donos. As coisas pioram quando se descobre que as empresas já registraram, de janeiro a setembro, a mesma quantidade de óbitos que em todo o ano de 2005, 22, no total. Os dados são do relatório dos consumidores de viagens de avião, elaborado pelo Departamento de Transportes da Agência de Aviação, Aplicação e Procedimentos (OAEP, sigla em inglês), dos Estados Unidos.

Apesar de os dados serem de outro continente – as companhias brasileiras não precisam prestar contas acerca da quantidade de animais que se acidentam durante o trajeto no avião –, alguns fatos começam a alertar os donos de animais brasileiros. Há duas semanas, um cachorro da raça pug morreu depois de desembarcar de um voo entre São Paulo e Vitória com 10 horas de atraso.

Além de problemas com despressurização, estresse e calor, os donos devem ficar atentos à qualidade da caixa de transporte. Em abril, um gato fugiu do container em que era levado, ao desembarcar com o dono no aeroporto de Brasília, e ainda está desaparecido. Uma forma de evitar qualquer acidente de percurso e garantir conforto aos bichinhos é investir no transporte do animal.

O professor da faculdade de Veterinária da UnB Rafael Monteiro alerta que a caixa deve ser de material resistente. O dono precisa analisar as marcas e fazer a melhor escolha. “O animal deve ser transportado numa caixa adequada e ventilada”, explica. O professor ressalta que os gatos têm mais dificuldade para se acostumar com o equipamento do que os cães, mas os cuidados são os mesmos para os dois.

Fique atento

O dono de uma agência especializada em viagens com pets, Luis Fernando Oliveira, concorda com o professor e dá algumas dicas. “O ideal é o animal treinar um mês antes com a caixa, dormir dentro, se acostumar para não ter trauma e acabar associando negativamente”, ensina. Ele cita os erros mais comuns cometidos pelos “pais” e “mães”. “Tem cachorro grande em caixa pequena, tem caixa com rodinha que acaba virando, o cachorro vai sedado, são os erros muito comuns”. Ele afirma que a sedação é perigosa. O recomendado pelos veterinários são os calmantes a base de substâncias naturais.

O sócio de um pet shop de Brasília, Luciano Pinto da Silva, revela que as caixas de transporte não têm o selo do Inmetro. Por isso, resta ao dono abrir o olho e seguir alguns critérios. “A exigência é que o animal consiga ficar em pé e dar um giro de 360º. Quando o animal é agitado, o melhor é a caixa com a portinha de ferro. Se ele é mais tranquilo, pode até ser com a porta de plástico.” Ele afirma que cães e gatos costumam machucar a boca, e em casos mais extremos, têm taquicardia e óbito devido ao nível alto de estresse nas viagens. O preço dos containers para animais varia entre R$ 80, para caixas pequenas, R$ 120, para de tamanho médio, e R$ 400, para as maiores.

Desconfiança

A estudante de gestão ambiental Amanda Zaia, 22 anos, não viaja com nenhum de seus oito cachorros, entre vira-latas, pinschers, dobermanns e fox paulistinhas. “Não deixo porque não confio no tratamento das companhias. Elas tratam o animal como se fosse uma bagagem qualquer, fico com receio de acontecer alguma coisa”, diz.

Luis Fernando Oliveira concorda e afirma que as empresas brasileiras ainda precisam mudar a postura. “É um pouco de despreparo das companhias brasileiras, da Infraero e do Ministério da Agricultura, que não têm estrutura para atender a esse público diferenciado”, declara.

QUADRO

MATERIAL

 

 

 

 

Pode: Caixa de plástico duro e resistente.

 

 

 

 Não pode: Caixas maleáveis somente são permitidas se o animal viajar na cabine com o dono. Nesse caso, o ideal é que ela tenha fundo impermeável para evitar vazamentos, em caso de urina.

TAMANHO

 

 

 

Pode: A caixa deve permitir ao animal:ficar nas quatro patas em posição ereta sem abaixar a cabeça, dar uma volta em torno de si mesmo e ficar na posição de deitado.O comprimento da caixa deve ser, no mínimo, a medida do focinho até a base da cauda do animal + a metade da altura da pata dianteira. A largura deve ser, no mínimo, o dobro da largura das costas do animal; e a altura deve ser 2 centímetros maior que a altura do animal em posição ereta e com as quatro patas no chão. Para calcular, acesse o site: http://doc-dog.com/tools/calc/

 

 

 

Não pode: Deixar o animal apertado, sem conseguir ficar ereto, sentado e deitado.

VENTILAÇÃO

 

 

 

 

Pode: Aberturas para ventilação na parte superior da caixa.

 

 

 

Não pode: Caixa fechada, sem permitir a circulação de ar.

PORTA

 

 

 

Pode: Os modelos ideais são feitos de ferro, em forma de grade e com trinca.

 

 

 

Não pode: Os modelos com portas de plástico não são indicados para animais agitados.

RODINHAS

 

 

 

Pode: Caixa sem rodinhas não oferece risco de virar ou deslizar no chão.

 

 

 

Não pode: Caixa com rodinhas desliza com mais facilidade e pode virar.

OPCIONAIS

 

 

 

Pode: Tapete absorvente, comedouro e bebedouro acoplado à caixa.

Anúncios

Animais de estimação são aceitos em 33% dos shoppings de Brasília

30 ago

A entrada é liberada para os de pequeno porte em quatro centros comerciais: Brasília Shopping, Boulevard Shopping, Iguatemi e Park Shopping

Marianna Rios

Os donos de cães e gatos de pequeno porte têm mais uma opção para levar as fofuras da família: o shopping. De acordo com dados divulgados neste mês pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), existem 416 shoppings no Brasil, sendo 12 localizados em Brasília. Dos centros comerciais da capital, quatro recebem os visitantes peludos desde o começo do ano, o que representa 33% do total de estabelecimentos. A única exigência para o passeio é que os animais estejam encoleirados e sejam carregados no colo ou dentro de bolsas.

Não há estimativa de quantos shoppings aceitam animais de estimação no país, mas a adoção da medida em Brasília veio depois de dar certo nos estados de Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo – que permite a entrada dos pequenos em cerca de 50 centros comerciais.

A advogada Thaisa Brasil, 26 anos, e a shih-tzu Belinha, cinco meses, viraram visitantes assíduas dos shoppings centers há alguns meses, desde que a filhote começou a passear. “Depois que ela completou o ciclo de vacinas comecei a levá-la ao shopping. Ela é bem comportada e não faz xixi nem cocô. Só existiria esse risco se ela fosse no chão”, explica a dona, que teve a primeira experiência no carrinho para animais – novidade que existe em apenas um estabelecimento de Brasília.

Outra Belinha acabou de ter a primeira experiência no shopping. A poodle de 8 anos e a dona, a secretária Mariza Franklin, 42, não tiveram muito sucesso. “Ela é muito agitada, uma característica da raça. Tentei deixá-la no carrinho, mas ela ficou bastante assustada”, revela a dona, que não demorou muito no passeio.

Para a psicóloga Karina Parreira, 34, e o gato Persa Woody, 9, os recentes passeios ao shopping foram positivos. “Tem pessoas que estranham, mas na maioria das vezes acham engraçado e gostam”, afirma Karina, que ainda não testou entrar nas lojas na companhia do bichano. “Sei que no supermercado não posso entrar com animal. Trago ele para tomar banho no pet shop e aproveito para dar um passeio.”

A Secretaria de Saúde do DF não estipula normas para o uso do espaço dos shoppings pelos bichos de estimação. Segundo a assessoria do órgão, a normatização da presença de animais será realizada pela administração de cada estabelecimento. No entanto, o veterinário da Diretoria de Vigilância Ambiental Laurício Monteiro dá dicas para os donos garantirem o melhor convívio nos centros comerciais. “Os animais devem receber a aplicação do vermicida a cada quatro meses, ter as vacinas em dia, usar a coleira preventiva contra a leishmaniose, a fucinheira e serem alimentados duas horas antes do passeio para evitar vômitos. Os donos também não podem se esquecer de levar um saco para coletar as fezes”, ensina.

Pioneiros

Segundo a veterinária e proprietária do pet shop localizado no shopping Boulevard, Betânia Nogueira, eles foram os primeiros em Brasília a implementar a permissão de bichos de estimação. “Tivemos a ideia em janeiro deste ano de abrir o pet shop dentro de um shopping. Inauguramos a loja em abril e, junto, foi permitido o acesso de animais com a disponibilidade dos carrinhos”, conta. “Como aqui liberou, os outros shoppings estão falando que já tinham a entrada liberada antes da gente abrir. Mas nunca vimos o acesso de animais nos outros shoppings”, diz.

Betânia explica que os únicos locais onde a permanência é proibida são a praça de alimentação e o supermercado. O shopping considera animais de pequeno porte aqueles que pesam até 15 quilos. Eles podem ser carregados no colo, em um dos quatro carrinhos para animais dispostos no shopping ou em bolsas (o pet shop as empresta para os donos, mediante cadastro feito na hora). Se o dono resolver pegar um cineminha, por exemplo, pode deixar o animal sob os cuidados do pet shop no guarda cão. O serviço inclui água, comida e brinquedo e custa R$ 1,50 a primeira hora, sendo cobrado R$ 1 por hora extra.

O shopping vai inaugurar a área do xixi e um quadro de raças com os tipos que são considerados de pequeno porte para os donos se informarem sobre quais bichinhos podem entrar no local. “Limitamos o fluxo a animais de raças pequenas porque se abríssemos uma exceção muito grande não teríamos como administrar”, justifica Karine Câmara, gerente de marketing do Boulevard. Ela revela que já houve comentários de clientes contra a medida, mas ainda não recebeu reclamações.

Confira as exigências de cada shopping no quadro abaixo:

Shopping

Exigências

Quando começou

 Brasília Shopping

Não especificam o porte, mas exigem que o animal fique no colo do dono. É proibida a entrada na praça de alimentação.

A administração não soube informar.

 Boulevard Shopping

Apenas animais de pequeno porte, carregados no colo ou em carrinhos especiais dispostos no shopping. O pet shop empresta bolsas e oferece serviço pago de guarda cão. É proibida a entrada na praça de alimentação e no supermercado.

Em abril deste ano, segundo o pet shop e a administração.

Iguatemi

Apenas animais de pequeno porte, conduzidos no chão com coleira, durante a semana, e carregados no colo, no final de semana e feriados. É proibida a entrada na praça de alimentação.

Desde a inauguração do shopping, em março de 2010, segundo a administração.

Park Shopping

Apenas animais de pequeno porte, carregados no colo. É proibida a entrada na praça de alimentação.

Entre março e abril deste ano, segundo a administração.

(HIPERTEXTO)

Cães-guia

A história é outra quando se trata de cães-guia. A Lei nº 11.126, de 27 de junho de 2005, garante o direito aos portadores de deficiência visual usuários de cão-guia de ingressar e permanecer com o animal em veículos e estabelecimentos públicos e privados de uso coletivo. Os shoppings centers também estão incluídos nestes locais. Qualquer tentativa de impedir ou dificultar este direito constitui ato de discriminação a ser punido com interdição e multa.